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Prisões

21 abr

Foto do produto tirada à moda miguel diretamente da minha webcam – não ‘desabono’ inteiramente. Mas não recomendo

 

POÉTICA essa chuvinha de inverno que se aprochega, vagarzin’. Num feriado, então, é quase um convite à reflexão.

Ideal para debater coisas mentalmente consigo mesmo, enquanto se pensa no charme inigualável do céu nublado (PS: aliás, foi apenas eu ou todo mundo também ficou com vontade de comprar esse lugar quando viu isso? Imagine viver instalado como um Senhor Feudal num lugar que parece ter sido locação para algum road-movie de terror barato?).

O problema é que a garoa insistente INVIABILIZA afu qualquer tipo de plano externo. Bueno: tenho coisas relativas ao GANHA PÃO para fazer e isso pode ser um estímulo ao trabalho, que LIBERTA, como diriam na Polônia não muito tempo atrás.

Estou preso em casa em uma solitária filadélfica e com uma louça para lavar que configura um trabalho forçado auburniano – só o fato de estar obrigado a permanecer em um mesmo recinto por horas a fio é extremamente ruim para um hiperativo, acreditem. Guardadas as proporções , estou engatado, como a fina aristocracia de “El ángel exterminador” de Buñuel, a pedida desse início de tarde, depois de um almoço onde preparei uns agnolines ao sugo (regras sobre o Clube da Luta: 1- não chamarás o agnoline de “capeléti“, 2- não o prepararás como “sopa” e sim como pasta) e inventei de tomar um vinho argentino semi-marca-diabo, com nome similar ao do célebre goleiro, aquele que tinha a mania de catar penaltis (que chegou a vir enganar no colorado em finais de carreira). Até que rolou – o cabernet – embora qualquer entendido do tema esteja já se preparando para implodir meu prédio e fazer com que eu seja tragado pelo inferno depois dessa declaração.

Depois de um Buñuel para digerir o almoço, SURREAL, mesmo, foi a notícia que me foi dada por um aluno que estagia na Defensoria Pública em uma cidade próxima: cada um FRUI da chuva e do friozinho como pode – e ele estava elaborando um Habeas Corpus para o STJ (vejam bem), eis que não vingou pedido de revogação, nem relaxamento, nem HC na primeira instância, nem HC no Egrégio Tribunal. O caso: empresário, com grana, residência, primário, sem antecedentes preso por porte ilegal de arma há mais de mes(es) – sim, no plural.

Sinceramente me deixa triste. Não o caso, em si, mas o absoluto desavergonhamento com o qual alguns “operadores do direito”  lidam com os ditames teóricos mais básicos – esquecendo-os em casa antes de ir para a Corte. Querem doutrina? Pois lhes dou lógica: tinha que vir um martelinho do Chapolin na cabeça do Magistrado a cada vez que ele determina uma preventiva dessas e a cada vez que ele choraminga que a situação dos presídios “é lamentável”. De repente podia acontecer uma associação pavloviana na mente do praetor e ele SE LIGA em alguma coisa.

Enfim.

A louça a ser lavada segue me olhando.

E hoje de noite tem esse timezinho SAFADO do Silas em Floripa. Pela indignação da torcida catarinense com alguns erros de arbitragem no jogo do Olímpico, vai ter briga e pedrada. Pelo menos isso será emocionante – em certo aspecto – de assistir, eis que o resultado todos prevêem: o Grêmio vence mas não convence.

E bom resto de feriado, turminha.