Pensa um pouquinho

22 ago

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Gostaria que você, na data de hoje (22 de Agosto de 2014), prestasse atenção em duas coisas:

Uma, é essa foto que faz um paralelo triste e consegue viajar 50 anos no tempo: conflitos civis envolvendo abuso policial com tempero de segregação racial, nos Estados Unidos, ontem, hoje. A impressão é aquela, fácil, prosaica: nos 50 anos que separam as fotos lamentavelmente irmãs, o que, efetivamente, mudou?

Outra, é esse pedacinho de texto extraído da coluna do Juremir Machado da Silva no Correio do Povo também de hoje:

“O Brasil tem a quarta população carcerária do mundo. O lacerdinha fica decepcionado. Queria que fosse logo a primeira. Dessa imensa massa de presidiários, 80% são negros. Seria a prisão um sistema de hierarquia social e racial nesse país dito sem preconceitos? O Rio Grande do Sul, que já traiu os negros na Revolução Farroupilha, massacrando-os em Porongos, tem 45% de sua clientela carcerária composta de afrodescendentes, embora estes representem apenas 18% da população do Estado. Cruel assim”.

Em palestra essa semana, na Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo, o Juiz de Direito Sidinei Brzuska – velho ‘combatente’ da infernal questão carcerária brasileira – apresenta seus dados sempre chocantes, e sempre com índices periodicamente renováveis, para pior:

Trabalhemos com apenas um deles: dos pouco mais de três mil apenados atuais confinados no Presídio Central de Porto Alegre-RS, dois mil quatrocentos e quarenta e seis (não perca as contas: 2.446 de pouco mais de 3.000) cumprem pena pelo delito de ‘tráfico de entorpecentes’ (vivificaram alguns dos incontáveis verbos-nucleares do Art. 33 da lei 11.343/06.

Desses, imagino ou (sem disposição estatística ou empírica, mas odiosamente próximo da realidade), uma margem de uns 92% é composta de aviõezinhos, ‘buchas’, soldadinhos, guardinha de boca, mandaletes, primos/vizinhos que assumiram a bronca do foragido, pivetes e passadores de dolinha.

Desses, uns 70% são negros, necessariamente pobres e integrante dos quase 75% do quadro de apenados que não tem o primeiro grau completo.

Desses – dados imaginativos meus – NENHUM (o que corresponde a 0,0%) é candidato a presidente, deputado federal, advogado tributarista, grande empreendedor e CEO de porra nenhuma, em lugar nenhum.

A mentira de que o Brasil é o país da impunidade anda de mãos dadas com aquela de que em um ‘país de mestiços’, não há racismo.

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Uma resposta to “Pensa um pouquinho”

  1. Ariela 10/09/2014 às 9:48 #

    Parabéns! Bastante pontual sua observação. Pena ainda ter tantos Datenas, Brasil afora, que compartilham com opiniões tão tolas como “país da impunidade”.

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