“Está valendo!” (depois de transitado…)

9 dez

 

Dia desses, em meio a uma conversa entre um almoço e um carioquinha na companhia da nata da Procuradoria da FEDERAL BOX, discutíamos como vezenquando ocorre, o esporte bretão.

A pauta girava em torno da então polêmica punição para o zagueiro colorado Bolívar, cujo prego duraria (em decisão de primeira instância, já revertida) até a recuperação física do lateral Dodô, cuja lesão fora causada por uma jogada, digamos, não muito cuidadosa por parte do General (veja).

Não houve quem não achasse a medida um pouco estranha e digna de períodos hamurábicos (em que pese a grossura do defensor solando o meio da canela do adversário): meu pai – colorado antigo (sim, não torço para o mesmo time que meu pai, já devo ter falado sobre com você que está lendo sobre isso) – retrucou dizendo que era um retorno ao Talião e questionou que se porventura o jogador baiano viesse a falecer após uma colisão com o não muito delicado defensor do Inter, esse não iria, pelo STJD ser condenado à morte.

Brincadeiras à parte, nós, na mesa, e todos (salvo, imagino, os familiares do baiano Dodô – pouparei a piada infame que envolveria Armandinho e Osmar, aqui) conseguimos perceber o quão patética e desmedida por vezes consegue ser a ingerência de um Tribunal sobre assuntos futebolísticos que muito bem devem se resolver na bola, na raça e no apito dentro das quatro linhas (Bolívar merecia de fato o vermelho. Levou o Amarelo do árbitro).

Não há cristão fã do esporte em questão que já não tenha torcido o nariz para alguma decisão prolatada pelas instâncias da “justiça desportiva”: e assim craques são impedidos burocraticamente de entrar em partidas, pontos importantes são surrupiados da tabela, técnicos são barrados e uma infindável série similar de elementos nitidamente do jogo são estabelecidos não por um passe de 30 metros, na trivela de um meia habilidoso, mas sim pelo canetaço de um magistrado numa sala ar-condicionada.

Hei de ver raiar o dia que quanto à justiça dita comum pairará as mesma indignação e perplexidade: a judicialização extrema de questões futebolísticas é metáfora para a condição em que vivemos. Ao invés de usar a jurisdicionalidade como muleta acessória para regular aquilo que é estritamente drástico no nosso convívio social, a idéia que inexplicavelmente mais se engrandece como um centroavante corpulento tal um touro em disparada correndo em direção à área é a de que devemos cada vez mais pugnar pela indispensabilidade da justiça.

A justiça é indispensável (fato). A jurisdicionalidade: não sei. Ou melhor. Cada vez mais SEI…

A questão poderá ganhar ares de discussão mais madura (ou não) quando as pessoas começarem a transmitir a mesma inconformidade com o crivo jurisdicional para questões de nítida economia interna dos gramados para a visão jurídico-política do mundo real: a burocratização leviatãnica que é condição do Estado tanto quanto é seu efeito colateral não possui mais guarida pacata no nosso imaginário. Falta algum tipo de empurrãozinho e ela cai.

Paulatinamente se vai destrinchando as cortinas do palco que esconde um Mágico de Oz que se revela fracote e inseguro, e mal posso esperar para quando juízes, promotores, procuradores e – principalmente – toda sua clientela habitual passar a crer na judicialização das relações sociais não como algo a ser obrigatoriamente feito para um tipo de chancela da realidade para torná-la real, mas sim numa escala que vai de mal necessário (para alguns casos extremos) a MICO proveniente de CHILIQUE a ser coibido.

Enfim.

***

Sobre o brasileirão e sua eletrizante rodada final, especialmente, eu diria que tudo deu errado em termos emotivos para mim: queria sinceramente ver o Vasco campeão, o Corinthians fracassando, o Cruzeiro rebaixado, o Atlético-PR na primeira e o Grêmio vitorioso no clássico. Aliás, falando em Grêmio, 2011 bem que poderia ser um ano futebolisticamente riscado do calendário. Nada anormal diante de um quadro tenebroso em que a própria diretoria ‘decreta’ o encerramento da temporada uns bons dois meses e meio antes de seu efetivo fim. Que venha a próxima, por tudo que há de sagrado.

Em um ano que esse incrível Vasco da Gama conquistou a Copa do Brasil, beliscou a Sul-Americana, foi vice do Brasileiro, com um elenco mais afinado que orquestra e gerido por genuínos craques (os veteranos Felipe, Juninho e o biruta Diego Souza, uma estranha e impressionante versão anos 2000 para o animal Edmundo), estranho que se passe o tempo todo falando das variações cada vez mais ridículas do corte de cabelo de Neymar.

2 Respostas to ““Está valendo!” (depois de transitado…)”

  1. Samuel Sganzerla 09/12/2011 às 14:37 #

    Adorei! Nada a acrescentar, só elogios, Gabriel!

    By the way, “estranho que se passe o tempo todo falando das variações cada vez mais ridículas do corte de cabelo de Neymar”, ou o que eu chamo de THIAGO-LEIFERTIZAÇÃO do futebol.
    Piadinhas ridículas e moda pautam o noticiário esportivo.
    Comecei a desgostar dessa nova geração (?) que adora isso – tô começando a envelhecer também, ao menos por dentro.

    Abraços

  2. mayora 15/12/2011 às 16:05 #

    é verdade, Thiago Leifer e Tadeu Schimidt estão enterrando o jornalismo esportivo. Minha campanha é pelo volta do Leo Batista.

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