Nunca fui a favor de invasões de terras (lato sensu) porque praticamente em todas que já vi noticiadas havia um forte componente de rinha/inimizade político-partidária local envolvida.
O problema está no fato de que (chuva no molhado mode on) em um país gigantesco onde paradoxalmente pessoas passam fome, a reforma agrária é sim um imperativo (chuva no molhado mode off). PS: é plausível discutir a questão de que isso é algo contraditório dito por quem possui mais de uma propriedade imobiliária em seu nome (ao menos na minha opinião). Agora, por favor: se você faz parte da grossa massa de engolfados pelo imaginário de que em 1989, em caso de vitória Lulista, você teria que DOAR seus pares de tênis sobrando ao Estado e coisas do tipo, faça um favor – não perca seu tempo querendo discutir comigo – eu CERTAMENTE não perderei o meu.
O problema, aliás, é o fato de que em contrapartida à reforma agrária como medida urgente ou à distribuição forçada por atos invasivos, o governo (os governos, todos governos, sucessivamente) apontam para uma revorma agrária ideal e platônica, que assim como ‘a revolução’ ou ‘JESUS’ um dia “vão chegar”. Sei. Sabemos.
Mais grave que tudo isso, aliás, é a incoerência de um povo, uma opinião pública ‘revoltada’ que ‘odeia’ políticos inescrupulosos, grandes tubarões do mercado financeiro anti-éticos, mega-empresários que fatiam o patrimônio público privatizado com tapinhas nas costas e favores ilícitos, mas que, paradoxalmente, está sempre pronta para defender a lei e a ordem que – curioso – sempre e somente agem em favor dos mesmos.
Dos mesmos LITERALMENTE, no caso de Naji Nahas (eu nasci em 1979, não preciso de explicações quanto a QUEM É esse sujeito e QUAIS SÃO seus ‘hábitos’. Caso você não saiba, sugiro rápida pesquisa).
Havia pessoas – trabalhadores, famílias, crianças, idosos – morando (do ponto de vista formal, sim, ilegalmente) no Pinheirinho? Correto, há mais de uma década. É preciso, contudo, desapropriar a área para “devolvê-la” ao uso de seu dono, segundo as autoridades.
Que alguns cães de guarda da elite paulista e a truculenta PM local entrem matando e baixando a porrada nos moradores isso tristemente já não é novidade para ninguém. Agora que muitas pessoas aplaudam e vibrem com a violência estatal para com sua própria população – e paralelamente se perfilando com Nahas e tantos outros que SUGAM esse mesmo povo, e todos nós, há anos, é um pouco demais para minha cabeça.
Na hora de apoiar o povo ainda que contra a lei tem gente que não apenas não questiona (bem pior do que refletir e chegar à conclusão de que a PM está correta) o ato de poder como ainda por cima vibra como se a propriedade, ainda mais do Naji Nahas, pudesse se sobrepor às pessoas que de uma hora para outra, por interesses especulativos, perdem o lar em que moram.
Enfim.
Daí que o glorioso ‘presidente’ Paulo me envia esse curioso e impactante link via mensagem privada no Facebook sobre o espancamento de dois supostos assaltantes no Maranhão. O espancamento de assaltantes é medida que é apoiada (ou seria em tese apoiada), por grandessíssima parcela da população que não vê correção nem celeridade na “justiça” e que acredita que o povo tem de tomar por si as rédeas da situação, “lidando” com aquilo que as instituições públicas não tem tempo, vontade ou competência para debulhar. Não sei se apenas vocês acham que o conceito médio do brasileiro de “se revoltar” é meio distorcido e precisa de uma certa regulagem na oficina.
Que semaninha tinhosa.




Fala Gabriel, fiz uma referência a este teu texto no blog do Alexandre Matias, em um post sobre uma “tuitada” da Soninha Francine. Aí resolvi linkar o post aqui, apenas para complementar:
http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo/2012/01/27/tumblr-do-dia-criminals-taking-advantage.htm
Por: paulrenault em 29/01/2012
às 14:37
“Uma lei que não foi homologada por todos os cidadãos, não é uma lei válida”
Ou algo assim, pois não lembro o nome do autor (Russell ou Rousseau).
Por favor, se alguém souber a citação correta, corrija-a.
Por: Mateus em 30/01/2012
às 11:41
Se o Lula tivesse vencido em 89 ele teria se tornado um Hugo Chavez (ou coisa pior) e o Brasil estaria na miséria e combatendo os ianques em nome da revolução bolivariana. Como veio a ganhar mais tarde, apenas seguiu fazendo o que tava dando certo. Teve sorte. Foi esperto. Pensa nisso.
Por: Alemao Tarimba em 17/02/2012
às 12:51